O DESIGN APLICADO COMO FERRAMENTA DE VENDA!

Já observou como os retalhistas estão consistentemente a migrar para o modelo de auto serviço? No ramo do retalho, nomeadamente lojas físicas, existem cada vez menos funcionários a atender os clientes. Tal como os bancos, em que o primeiro contacto assim que entramos nas sucursais são máquinas de auto atendimento. O controlo da inflação também resultou no aumento de “vending-machines” onde podemos comprar centenas de produtos. E os sites de compras? Nestes, praticamente tudo está à venda, por auto serviço!

Focados na diminuição de custos, o comércio investe em ferramentas que possibilitam transitar facilmente pelos seus espaços e interagir com os mesmos, sem intermediários, com os produtos e serviços à venda. Neste cenário, o design, aliás, o bom design, é fundamental para o sucesso das vendas. Várias pesquisas, realizadas por diversos institutos, empregam metodologias distintas, em diferentes modelos de retalho que apontam sempre para o altíssimo índice de decisão.

Já se perguntou o que o faz optar por uma, entre as diversas marcas de champô, expostas lado a lado com as suas concorrentes numa loja? Ou a escolher determinado livro entre dezenas de outros no balcão de lançamentos de uma livraria? Ou a comprar o terceiro par de ténis, para usar no ginásio que, há seis meses, promete começar a frequentar? Certamente, se não é fiel a uma marca de champô, não tem a indicação de um livro ou não é muito contido nos seus hábitos de compras, a sua decisão foi tomada provavelmente com base no design.

Existem dois lados do cérebro, o esquerdo, racional, e o direito, emocional, que se conectam de modos diferentes com os ambientes onde as pessoas se encontram, através dos cinco sentidos. Os estímulos recebidos pelo lado direito seduzem, encantam, e geram o desejo de comprar. Já o lado esquerdo, atento aos estímulos racionais, justifica o desejo de comprar. Normalmente, compra pelos benefícios funcionais e nunca pelos emocionais. Não tinha a necessidade de comprar o seu décimo quinto verniz, mas encantou-se pela embalagem, pela tonalidade da cor, tão diferente, tão na moda! Contudo, provavelmente irá dizer que comprou porque os que tem já estão velhos e ressecados, ou que a cor que tem em casa não é necessariamente a mesma, ou ainda que o verniz está na promoção e não pode perder a oportunidades o que cria o FOMO (fear of missing out).

O design é um recurso indispensável às marcas vencedoras, por estimular o encantamento, o amor à primeira vista e a conexão emocional com o cérebro.

A ARQUITETURA DO DESIGN

O design trabalha a “arquitetura da informação”, que expressa os diferenciais das mensagens, dos objetos, das embalagens, dos equipamentos e dos espaços, de forma a conectar as marcas às pessoas. Pense em algumas marcas portuguesas, líderes nos seus mercados, como Worten, MEO, TAP, Galp. Todas elas são marcas que investem consistentemente, há anos, no design, o que contribui de modo relevante para a fidelização dos seus consumidores.

O Japão na pós-guerra, em que a quantidade de produtos japoneses que chegaram à Europa eram baratos e com o selo “Made in Japan”, que na época era sinónimo de produtos de segunda linha. Eram denominados a “imitação” da máquina fotográfica alemã ou do relógio suíço, ou até mesmo do eletrodoméstico norte-americano. Com o tempo, e muito investimento, especialmente em design e em tecnologia, as marcas japonesas tornaram-se líderes mundiais.

Por um processo semelhante passa agora a China, cujos produtos, quando não são de marcas estrangeiras, são tachados como cópias de má qualidade. Contudo, o seu governo sabe que o país, que apenas emula o que os outros fazem, discute apenas por preço, não por valor. Assim, a China investe no design e coloca, por ano, 600.000 designers no mercado! Uma escala realmente chinesa.

Numa economia mundial acelerada, extremamente competitiva como a atual, em alguns anos as marcas chinesas certamente estarão entre as mais desejadas. Neste contexto, Portugal, terá que investir em políticas públicas de fomento do design, para não ser apenas mais um “cromo no álbum.

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